sábado, 20 de dezembro de 2008

Em perto a um cemitério

Eu, que em noites de insônia teço
A ignota idéia que circula em minhas veias
E construo, como as aranhas às suas teias
Minha poesia assimétrica em verso.

Do vermelho do sangue ao azul do céu
As palavras saem e a tudo descrevem
Contudo, tampouco outros conseguem
Das sílabas unidas tirar o véu.

E se mantém recôndita a idéia
Num manto de sombra em certezas
Ocultando sem vergonha as impurezas
E a vil verdade sobre a matéria.

***

Fico na espreita, a observar
Os berros e as lágrimas nos velórios
Que as mães vertem, por tecidos ilusórios
Vendo a alma dos filhos germinar.

E como que algo me apressasse
Respiro, e de profundo sono acordo
Levanto os olhos e uma mãe abordo
Felicitando-a por seu filho que nasce.

A resposta vulgar não me abala
Mas aos outros que choram, cala
E um silêncio no recinto fala
Como que fizessem uma cabala.

***

Enfim,
Volto ao meu lugar e descanso em paz
Como os que não descansam em vida
Como os que não morrem jamais.

Um comentário:

Ira disse...

Sinceramente,as palavras fugiram.
Maas acho que posso dizer que adorei,amei,me entusiasmei com cada frase dita,com cada virgula bem colocada.
Enfim,tuas palavras em si me encantaram.
bjos