domingo, 27 de julho de 2008

Roda gigante

Passo em frente

Ao passado,

A passos lentos.


Passo a folha

E o passado é passado

Para trás.



Pára e traz

O presente que passou

E virou passado.


Trouxe.

O passado voltou

E virou presente.




[solitude_]

quinta-feira, 17 de julho de 2008

I'll be right back

É tudo tão igual todo dia

É tudo tão normal todo dia

As coisas vão e vem

Tudo se desfaz

Na mais perfeita sintonia.


E a cada passo que eu dou

Sei o que irá acontecer

Eu já vi o mundo novo

E o vi envelhecer.


E toda vez que sinto sede

Sei o que irei beber

Eu já senti isso antes

Não vou me surpreender.


Bem vindos ao novo mundo

Que parece que é verdade

Vivam os ’60 novamente

Esqueçam a realidade.


E o que se fala, já se falou

O que se veste, já se vestiu

O que se odeia, se amou

O que não se sente, se sentiu.


O acorde foi tocado

E o silêncio se quebrou

E a palavra proferida

À ignorância silenciou.


É tudo tão igual todo dia

É tudo tão normal todo dia

As coisas vão e vem

Tudo se desfaz

Na mais perfeita sintonia.



[solitude_]

domingo, 13 de julho de 2008

Em meus sonhos

Meus sonhos são todos

Em preto e em branco

Eu tinha as tintas e o pincel para pintá-los

Mas minhas mãos estavam atadas.

Pedi para que desatassem os nós

Disseram-me: “Cortaremos”

E cortaram, não só os nós

Mas minhas mãos também.

Não por isso desisti de colorir meus sonhos

Cravei os pincéis nos buracos deixados nos braços

E o sangue escorreu por cada um deles

Eu já não precisava mais de tinta

Estava tudo ensangüentado

Em meus sonhos estava tudo vermelho

E a realidade passou a ser toda

Em preto e em branco.



[solitude_]

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Pernas de concreto, coração de gelatina.

Eu era uma torre

Nos céus, visto de baixo, eu era imponente, forte.

Mas, como toda torre, tremia diante da ameaça do terremoto.

Procurei fortalecer minhas bases

Ah, eu estava seguro...

Eis que o dia chegou

Dessa vez eu não tremi, mantive-me firme.

O terremoto cessou, eu havia sobrevivido.

Foi então que ventos fortes sopraram

E eu temi.

Mais que diante de um terremoto

Eu tremi.

O 20º andar tombou

Em seguida os que estavam em cima.

E o peso acumulado derrubou os antecessores.

O 20º andar caiu

Todo o resto caiu por ele.

Primeiro o coração foi perdido

Depois a mente se perdeu...

Mais uma vez,

Tudo estava perdido.



[solitude_]

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Um dia inteiro jogando bola na rua

Primeiro vem o sol

Às três da tarde nos castiga

Faz nossas cabeças arderem

Nossos corpos queimarem

E nossas bocas secarem.

Quando já estamos nos acostumando...

Vem a chuva

Nos molha, nos encharca

Os pingos doem sobre a pele queimada

Levantamos o rosto e abrimos a boca

Tentamos matar a sede inutilmente

Pois o fino vento que corre não é nosso aliado

Seca tanto quanto pode a água molhar.

No final do dia estamos exaustos

Voltamos para casa com sorrisos largos na face

Suor seco e areia na pele

Algumas histórias a mais no bolso

E uma boa gripe...

Sim, da gripe não vai dar pra esquecer tão rápido.



[solitude_]