Passo em frente
Ao passado,
A passos lentos.
Passo a folha
E o passado é passado
Para trás.
Pára e traz
O presente que passou
E virou passado.
Trouxe.
O passado voltou
E virou presente.
[solitude_]
Passo em frente
Ao passado,
A passos lentos.
Passo a folha
E o passado é passado
Para trás.
Pára e traz
O presente que passou
E virou passado.
Trouxe.
O passado voltou
E virou presente.
[solitude_]
É tudo tão igual todo dia
É tudo tão normal todo dia
As coisas vão e vem
Tudo se desfaz
Na mais perfeita sintonia.
E a cada passo que eu dou
Sei o que irá acontecer
Eu já vi o mundo novo
E o vi envelhecer.
E toda vez que sinto sede
Sei o que irei beber
Eu já senti isso antes
Não vou me surpreender.
Bem vindos ao novo mundo
Que parece que é verdade
Vivam os ’60 novamente
Esqueçam a realidade.
E o que se fala, já se falou
O que se veste, já se vestiu
O que se odeia, se amou
O que não se sente, se sentiu.
O acorde foi tocado
E o silêncio se quebrou
E a palavra proferida
À ignorância silenciou.
É tudo tão igual todo dia
É tudo tão normal todo dia
As coisas vão e vem
Tudo se desfaz
Na mais perfeita sintonia.
[solitude_]
Meus sonhos são todos
Em preto e em branco
Eu tinha as tintas e o pincel para pintá-los
Mas minhas mãos estavam atadas.
Pedi para que desatassem os nós
Disseram-me: “Cortaremos”
E cortaram, não só os nós
Mas minhas mãos também.
Não por isso desisti de colorir meus sonhos
Cravei os pincéis nos buracos deixados nos braços
E o sangue escorreu por cada um deles
Eu já não precisava mais de tinta
Estava tudo ensangüentado
Em meus sonhos estava tudo vermelho
E a realidade passou a ser toda
Em preto e em branco.
Eu era uma torre
Nos céus, visto de baixo, eu era imponente, forte.
Mas, como toda torre, tremia diante da ameaça do terremoto.
Procurei fortalecer minhas bases
Ah, eu estava seguro...
Eis que o dia chegou
Dessa vez eu não tremi, mantive-me firme.
O terremoto cessou, eu havia sobrevivido.
Foi então que ventos fortes sopraram
E eu temi.
Mais que diante de um terremoto
Eu tremi.
O 20º andar tombou
Em seguida os que estavam em cima.
E o peso acumulado derrubou os antecessores.
O 20º andar caiu
Todo o resto caiu por ele.
Primeiro o coração foi perdido
Depois a mente se perdeu...
Mais uma vez,
Tudo estava perdido.
Primeiro vem o sol
Às três da tarde nos castiga
Faz nossas cabeças arderem
Nossos corpos queimarem
E nossas bocas secarem.
Quando já estamos nos acostumando...
Vem a chuva
Nos molha, nos encharca
Os pingos doem sobre a pele queimada
Levantamos o rosto e abrimos a boca
Tentamos matar a sede inutilmente
Pois o fino vento que corre não é nosso aliado
Seca tanto quanto pode a água molhar.
No final do dia estamos exaustos
Voltamos para casa com sorrisos largos na face
Suor seco e areia na pele
Algumas histórias a mais no bolso
E uma boa gripe...
Sim, da gripe não vai dar pra esquecer tão rápido.
[solitude_]