sábado, 20 de fevereiro de 2010

Não te vais de mim

Eu prefiro assim, quando cais, sem pára-quedas, com velocidade de cometa, de estrela cadente, em cima de mim. Vem, vem caindo, que eu te espero, aqui, parado, de braços abertos. Cai, cai e me derruba contigo, nesse chão entre lençóis, choros, gemidos. Em seguida, descansa a tua cabeça sobre o meu peito, os olhos cerrados, ouves bem?, presta atenção, sente o meu coração palpitando, acelerado, mas sem pressa. Sem pressa, porque o dia não pode passar não. Não, não pode, esse dia nós vamos levar conosco na memória, na pele, marcado, com ferocidade de cicatriz, suave, nostálgica. Aceito os teus caprichos: não respondo, não objeto. Contigo, transformo esse espaço azul vazio em noite onde estrelas dormem sobre nuvens distraídas; em plácido luar borbulhando em vagas marinhas; ou num pôr-do-sol paciente, que espera para assistir até o último beijo, emocionado, emocionado. Ai, não te vais, não te vais - vê comigo mais uma vez aquele bando de guarás, ainda com pele branca, esvoaçando, como que dançarinos flutuantes, bem aqui, ali, diante dos nossos olhos. Mas, se quiseres mesmo ir, me leva contigo, em teu colo, balançando, feito mãe com seu bebê que chora, acalmando, bem baixinho, eu te amo, eu te amo. Não deixa morrer a chama que pulula em nosso seio - não, não deixa, porque sem ela estaríamos frios demais para nos considerarmos ainda vivos.

3 comentários:

b disse...

Tal paixão é fenômeno, ontológica ou hermenêutica?
Não importa muito, não é?
Obrigada.

c disse...

UHAUHAUHAUHAUHAUA

Ri do comentário acima.

Bastante.

espetinho disse...

DA fenomenologia À ontologia... Talvez esteja no intervalo...