sexta-feira, 25 de maio de 2018

Sobrevivo


Eu anseio pela dor.

Não a dor que tempera
E encanta o fim dos amores
Com suas lágrimas e soluços
A ecoar no vasto vazio
do esquecimento.

Menos ainda
A negra dor do luto
A nos lembrar que somos apenas
Um breve suspiro
Em meio ao caos, tempestade
De corpos.

Anseio pela dor da carne:
O corte profundo
Com seu emblema de sangue
E terror
- uma explosão
Na superfície lunar –
E o grito que se debruça
Sobre a tarde:
Elástico
e efêmero.

Findo o grito,
Findos os espasmos
Que dissolvem a carne,
Resta enfim a certeza:
Sobrevivi,
Sobrevivo.

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