segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Solidão

Sentado em minha mesa, com uma garrafa de Montilla e um copo com gelo na mão, o pensamento embriagado está longe, num lugar onde eu preferia que ele não estivesse.

Do mesmo modo que me afogo em bebidas, eu me afogo em uma profunda depressão. Pouco a pouco vou sendo tomado pela solidão, este sentimento que mostra-me o escárnio da mudez fria na fatalidade da depressão da alma e move-me como escuma nos escarcéus.

Tudo isso começou com um inocente mergulho nas águas profundas da reflexão. Com mistérios a desvendar e tesouros a achar, fui atraído para lugares perdidos e obscuros. Os mistérios que eu desvendei foram os que tratavam das influências do meio em que vivo na minha personalidade ainda em construção, e os tesouros que eu achei foram apenas minhas falhas morais, lacunas preenchidas com incertezas, formando um coquetel perigoso senão letal à mente humana.

Agora, voltar à superfície é difícil, mas tenho ao meu lado, para auxiliar-me, as alegrias das realizações pessoais, das vitórias que na vida acumulei, e a força e o equilíbrio da razão, que caminha ao meu lado há um longo tempo, suficiente para eu depositar toda a confiança na mesma.



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Sobre a solidão

Sempre falei sobre solidão, mas nunca havia percebido antes como esse sentimento devastador atuava sobre mim.

No auge da minha psicose, com a alma desolada pela solidão e a mente aterrorizada pelas incertezas, o que eu achava ser apenas uma figura de linguagem mostrou-se real, os efeitos da solidão são sentidos na forma de um grande aperto no meu coração.

A solidão vai além do “estar sozinho”, no sentido literal da expressão. Às vezes, sinto a sua presença mesmo estando cercado de pessoas. É como se eu as ignorasse a presença e me visse realmente sozinho.

Partindo para a psicologia e fazendo uma análise junto à mesma, podemos concluir que a solidão não é apenas um sentimento, mas também um estado de mente e espírito. O descontentamento com o nosso desempenho no âmbito profissional ou pessoal leva a um estado de reflexão profunda, onde devemos atuar sozinhos para achar e preencher espaços vazios em nossas personalidades. Talvez daí venha a causa do meu estado atual.

Mesmo sem deixar transparecer, a solidão atua de forma direta em minha vida e em minhas decisões. Seja qual for a causa, a apontada por mim ou não, posso dizer que sou afetado e assolado por tal.



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sábado, 4 de agosto de 2007

Presságio



Eu perco o controle sobre mim. Meus olhos e ouvidos me enganam. Minha percepção está mais aguçada e aponta para algo que eu desconheço. A lucidez parece querer fugir, e nas noites de insônia, a loucura paira sobre minha cabeça. Como uma águia na espreita, na espera pelo alimento, a loucura apenas aguarda o momento certo para atacar, para tomar de vez a minha mente.

A morte está perto, e eu não à temo. As oscilações e contrastes que nos acompanham do berço ao túmulo agora parecem mutilar-me, e só assim percebo que é realmente necessário destruir-se para desvendar-se, como já havia dito K.

O equilíbrio da razão e das emoções não me acompanha mais, meus sentimentos são confusos e meus pensamentos conturbados. Isso é como uma lâmina que corta-me um pedaço a cada pensamento, mas em compensação eu faço descobertas jamais antes imaginadas, sobre mim, sobre o meu ser, e isso me prepara para qualquer coisa, inclusive para minha morte.




Esse post é em homenagem à minha amiga Mayara, que me ajudou com o blog.
Ao meu maior e eterno amor, minha maior amante, e acima de tudo minha maior amiga, Gabi, que dividirá o blog e as postagens comigo.



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