quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Perto

Sinto o peso dos dias
Cada um me esmagando de um jeito.
Todos juntos
E como os dias passam
Mas não passam em mim
O peso só cresce e cresce e eu
Coitado
Fraco, condenado a viver
Sendo esmagado
Sem fôlego
Sentindo a dor
E a covardia
Bater-me à porta.

Se há algum herói na minha vida
Não é meu pai
Nem eu
O herói da minha vida,
Aliás, a heroína –
é legal fazer um trocadilho com a droga –
é a covardia.
Não fosse a covardia meus pulsos já estariam rasgados
Ou meu estômago cheio de veneno
Minha cabeça estourada ou os ossos dos meus pés e pernas
Triturados, feito pó.
É só o medo da dor
Minha e dos outros
Que me impede de realizar meu desejo.

E assim vou passando
E os dias em mim se acumulando
Como blocos de concreto em cima dum pardal
Que treme as pernas e já não agüenta
E já quase deixa-se levar
De uma vez
Por todas
Ao fim.

2 comentários:

*Raíssa disse...

Não podemos nos deixar levar, pois pode ser que não gostemos do destino.

Beijos!

404 Not Found disse...

nem me fale uma coisa dessas está bem? espero que seja só escritos... e continue covarde haha :*