quinta-feira, 5 de março de 2009

Velho, eu?

Gosto das cores frias
Do céu de fevereiro
Gosto só de ver
E de sentir o orvalho
Das manhãs em cinza.
Sem sol.
Gosto de sair na rua
Ver as crianças brincando
E lembrar do sorriso
Que o espelho me mostrava
Na infância.
Só gosto de lembrar.
Gosto de lembrar
Porque o passado
É mais gostoso.
Sinto o gosto do tempero
Da comida que mamãe fazia.
Sinto o gosto do limãozinho do quintal
Da casa da minha avó.
E quando eu percebo
Que tudo o que passou
Passou e não passará mais
Que tudo o que ficou
Faz parte do caminho
Mas faz parte dum caminho
Já percorrido
E que não se percorrerá mais,
A nostalgia me corrói a alma.
Vivi tudo o que precisei viver nessa vida.
Sinto saudades e sinto doer o peito.
Para mim ainda está tudo vivo
Contudo, na verdade, nada está.
E assim vou passando como as coisas
Que passaram
E aos que aqui ficam
E aos que virão
O legado que deixo
É a dor de existir.

2 comentários:

404 Not Found disse...

sessão nostalgia, também me sinto assim as vezes.

*Raíssa disse...

Me sinto assim muitas vezes. Todos deveriam ser com o Benjamin Button, nascer velhos e morrer bebês - começar com o pior e morrer com o melhor.

Beijos!