segunda-feira, 6 de abril de 2009

Serenidade

Eu não serei cafetão de uma vida prostituta.
Quero afastar de mim a mácula da licenciosidade
Quero deixá-la longe, porque só assim eu posso tê-la
Em minha cama, sem sujar os meus lençóis.

O mundo não precisa de uma camisa-de-vênus,
O mundo precisa é de uma camisa-de-força
Para prendê-lo à esperança de liberdade.
À esperança, enfim...

Por isso rasgo meu peito num devaneio infinito.
Sonhos intermináveis de dias intermináveis
Onde a insanidade e a covardia fazem pesar
A cabeça e os ombros, e tremerem as pernas.

Ai, céus, quando cairão sobre nós?
Alguém anuncia todos os dias o fim do mundo
E, no entanto, somos nós os condenados ao findar.
O mundo mostra-se firme ante nossa prostração.

Aqui, senhores, perene é só o medo;
Perene é só o desejo:
Carne, sangue...
E exuberante é a aurora, a vida e o ocaso.

4 comentários:

fabricadeilusoes disse...

Melancólico.
Agradável, sereno, refinado.

Paulo César di Linharez disse...

Quanta serenidade!

Brenda disse...

Muito bonito, mallu *-*

fabricadeilusoes disse...

Atualiza!