sexta-feira, 24 de abril de 2009

Pedra

Há um buraco em meu peito
E lágrimas em meus olhos
Tristes, saudosos do teu leito:
Doce cárcere de vida e de morte
Onde o desejo é mais que forte,
Onde a dor não inflama o corte.

Lembranças rubras da paixão
Com a qual me deleitei
Em tua cama - oceano d’ilusão -,
Andam a povoar-me a mente
Como o temor daquele que sente
Que ama um coração dormente.

sábado, 11 de abril de 2009

Condenação

Em mim arde a culpa dos crimes que deixei de cometer.
Sou assassino dos meus próprios Desejos.
Suicido-Lhes na prisão da vida rotineira,
Arguindo-me pelo noir désir de cada dia.

(Morte sobreviva em minhas veias;
Sangue de homem que corre e que fere
A alma, maculada pela lucidez intransigente.)

Que há de exuberante numa vida de sofismas -
Disparate vulgar e tão presente?...

Anseio pela derradeira sentença.
Pois que haja o céu,
Mesmo que esteja reservado o meu lugar no inferno.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Serenidade

Eu não serei cafetão de uma vida prostituta.
Quero afastar de mim a mácula da licenciosidade
Quero deixá-la longe, porque só assim eu posso tê-la
Em minha cama, sem sujar os meus lençóis.

O mundo não precisa de uma camisa-de-vênus,
O mundo precisa é de uma camisa-de-força
Para prendê-lo à esperança de liberdade.
À esperança, enfim...

Por isso rasgo meu peito num devaneio infinito.
Sonhos intermináveis de dias intermináveis
Onde a insanidade e a covardia fazem pesar
A cabeça e os ombros, e tremerem as pernas.

Ai, céus, quando cairão sobre nós?
Alguém anuncia todos os dias o fim do mundo
E, no entanto, somos nós os condenados ao findar.
O mundo mostra-se firme ante nossa prostração.

Aqui, senhores, perene é só o medo;
Perene é só o desejo:
Carne, sangue...
E exuberante é a aurora, a vida e o ocaso.