segunda-feira, 21 de setembro de 2009

muito mais

Há noites fatigadas de saudade,
de silêncio e segredos
que massacram.

Nessas noites,
debruço-me sobre
a tua dor,
e nela navego sem que tu saibas,
chorando a inocente lágrima
que não ousaste derramar.

Assim,
dissolvo o brilho das festas
em meus olhos,
e de tudo sobra já seco
o sono que há tanto
tu me tomas.

São nessas noites,
meu bem,
que me descubro
mentiroso.

Ou não sabes que minto
quando digo
que te amo?

Minto. E por mentir,
continuo dizendo:
eu te amo.

E me perco nesse sopro
porque não há outro
em que eu possa
me perder.

Vivo a agonia
de te amar mais
do que posso falar,
e por isso me traio
e te traio
mentindo que te amo,

quando eu não só te amo
como também muito mais.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

em teu sono

em teu sono te manténs
intacta: como um anjo, dormes,
embebida em eternidade.
com os olhos te acaricio,
com as mãos navego pelas marés
do teu corpo.
assim te mantenho: incólume
diante do desejo que pulsa
na artéria.

o sal da tua pele guarda
as provas da loucura
do nosso amor.
os lençois são as únicas
testemunhas dos crimes
que não cansamos de cometer.
e somos sempre culpados
por amar e transfundir à carne
o calor da paixão.

mas, dormes...
e nosso lábios não se estreitam
em beijo sem fim.
só os meus murmuram
o teu silêncio...
e, enquanto dura o teu sono,
me deleito no simples
e sincero prazer de te ter
ao meu lado.