Rasgo as folhas
dos dias
e deixo que
o vento
as consuma
em sua brasa.
Arquejo sob
a memória
e sua
espera,
sob a
tormenta
da lembrança.
Assim sou
e assim
vou:
Entre o clarão
e a vertigem
do dia,
entre o quieto
desespero
da noite.
Longe, vou
Me
Perdendo
na saudade
do que
não fui.
Assim sou
e assim
vou:
Entre o tortuoso
caminho
do sol,
entre a lúcida
e esvoaçada
paz da lua.
Queimo cada
Fim
De tarde,
cada madrugada.
Na fumaça,
os sonhos do que
fui
um dia -
Evaporando,
esvaindo-se
no consumo
de si
mesmos.
Lento suicídio
ao qual
me entrego.
Nostalgia
do que sou
e não fomos,
das intransponíveis
distâncias
às quais
nos interpomos.
Assim sou
e assim
vou:
Entre o dia
e a noite,
entre o tempo
e a ruína.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
sábado, 22 de agosto de 2009
le tour amante
quebrar o relógio
não atrasaria
a tua ida.
o tempo existe
e corre
e nós em sua esteira:
migalhas de pão
velho
no chão
pra pombo de praça
comer.
a morte se mostra
em facetas.
teu ir é um
contínuo
e incessante
morrer.
a manhã acorda
triste.
na janela
chovem
suas lágrimas.
sente ela
a dor
que eu sinto?
coloridas
as nuvens do teu
funeral
me abraçam.
na ponta
da língua
uma esperança
com o gosto
do teu beijo.
não atrasaria
a tua ida.
o tempo existe
e corre
e nós em sua esteira:
migalhas de pão
velho
no chão
pra pombo de praça
comer.
a morte se mostra
em facetas.
teu ir é um
contínuo
e incessante
morrer.
a manhã acorda
triste.
na janela
chovem
suas lágrimas.
sente ela
a dor
que eu sinto?
coloridas
as nuvens do teu
funeral
me abraçam.
na ponta
da língua
uma esperança
com o gosto
do teu beijo.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
canibalismo marítimo ou o amante do mar de carne
teu corpo
é o mar onde
me deleito: calmo,
íntimo, longínquo –
flui: um tapete azul
que se estende
ao infinito.
suavemente,
cada parte
minha
se entrega
ao teu toque:
as tuas águas
me envolvem –
me afogo e
por fim
somos um só.
e não destaco
o meu corpo
do teu: busco
em ti o ar
que me é essencial
à vida, na tua
carne o alimento
da minha.
é o mar onde
me deleito: calmo,
íntimo, longínquo –
flui: um tapete azul
que se estende
ao infinito.
suavemente,
cada parte
minha
se entrega
ao teu toque:
as tuas águas
me envolvem –
me afogo e
por fim
somos um só.
e não destaco
o meu corpo
do teu: busco
em ti o ar
que me é essencial
à vida, na tua
carne o alimento
da minha.
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