sábado, 28 de junho de 2008

Vento

O vento carrega consigo tudo

Inclusive as almas e as vidas

Arranca das mãos da mãe o bebê

Que chorava por já conhecer o seu destino

E deixa também a mãe chorando

Para que mais tarde possa vir e carregá-la junto a si.

Não deixará jamais os dois separados

Pois sua natureza não é a maldade

Cumpre apenas a sua função

De acalmar e apassivar os impacientes

E de buscar as vidas e as almas

Daqueles que, na verdade, já as perderam.



[solitude_]

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Auto-Ajuda

Pobres aqueles que encontram a riqueza

Na vida e em tudo o que há nela

Nos sentimentos volúveis

E nas compensações levianas.


Rico sou eu

Pois tenho em mim todas as possibilidades

Que o mundo não pode me dar.


E meu anseio pelo desconhecido destino pós-morte

Só é anulado pelo meu medo

De nem destino e nem desconhecido existirem

No lar dos que já morreram e são imortais.


Talvez possa eu estar me enganando

E o que me espera do outro-lado

É o exato lugar em que eu me encontro hoje:

Imensidão eterna de obscuridade de pensamento

De julgamento e culpa de si próprio.


Mas as coisas hão de melhorar...

Basta-me parar de falar

E convencer-me realmente disso.




[solitude_]

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Minha eterna dúvida sobre a realidade

Que serão os homens senão meras marionetes?

É tudo teatro!

E a vida é um ensaio constante

Onde estamos sempre sujeitos

A sermos cortados do elenco.

Os gestos são mecanizados – até o pensamento é mecanizado! –

E a é glória aparente

A felicidade é aparente

Pseudo-TUDO!

Infeliz neologismo!

Infeliz necessidade de apelação ao que sequer existe!

Infelizes homens, covardes, escondidos em suas mentes

Escondidos em suas ações

Em suas palavras - mentiras! -

Em suas criações.

Que seja honrada a hora da partida...

Que honra?

Que é a honra senão mais um muro

Criado somente para que se possam esconder os homens

De sua deficiência e fragilidade?

Ao menos nisso sou diferente.

Não me escondo, fujo!

Fujo na loucura, sou fraco, assumo!

Fujo na tristeza e na moléstia.

Fujo sendo, nada mais do que deveria ser,

Fujo sendo homem!



[solitude_]