Escrevo a vida num papel só para poder queimá-la.
Eu cansei da vida em carne, ossos e celulose e tinta preta de caneta Bic.
Quero a vida em fumaça.
Quero ver a minha existência fundir-se ao ar que respiro.
Quero vê-la nascer forte de sua morte,
E desaparecer gradualmente,
Conforme voa e se dispersa em sua própria imensidão.
domingo, 29 de março de 2009
segunda-feira, 23 de março de 2009
X
Espera-se de ‘X’ algo indefinidamente grande.
‘X’ está terminando o segundo grau, por isso pode-se defini-lo a partir da equação:
a . X ² + b . x + c = 0.
Dá-se então a seguinte questão:
Numa encruzilhada do Pingão, um Homem e uma Mulher resolveram dar valores hipotéticos para A, B e C. Após trinta e quatro verões – pois têm-se dois na ilha de São Luís -, tais valores foram todos reduzidos a zero.
Se A = 0, B = 0 e C= 0, determine o imensurável valor de ‘X’.
A resposta vem sem muito esforço.
“Professor, ‘X’ é igual a ZERO!”
“Muito bem, Joãozinho, ao contrário de ‘X’, você é DEZ!”
Gargalhadas inundam a sala.
‘X’ morre em folhas de papel.
‘X’ está terminando o segundo grau, por isso pode-se defini-lo a partir da equação:
a . X ² + b . x + c = 0.
Dá-se então a seguinte questão:
Numa encruzilhada do Pingão, um Homem e uma Mulher resolveram dar valores hipotéticos para A, B e C. Após trinta e quatro verões – pois têm-se dois na ilha de São Luís -, tais valores foram todos reduzidos a zero.
Se A = 0, B = 0 e C= 0, determine o imensurável valor de ‘X’.
A resposta vem sem muito esforço.
“Professor, ‘X’ é igual a ZERO!”
“Muito bem, Joãozinho, ao contrário de ‘X’, você é DEZ!”
Gargalhadas inundam a sala.
‘X’ morre em folhas de papel.
sexta-feira, 13 de março de 2009
Bolo recheado
A vida traz o cansaço
E o cansaço assassina a esperança
A esperança em falta culmina no crime
O crime na culpa
A culpa no julgamento
O julgamento na sentença.
Somos todos criminosos
Quando somos descobertos.
Escondemos nossos crimes,
Os mais bárbaros crimes,
Até de nós mesmos.
E vivemos todos presos
(tal é nossa sentença),
Encarcerados em nossas mentes:
Onde, em celas, guardamos os segredos:
São alimentados duas vezes por dia
Mas nunca têm direito ao banho de sol.
Os segredos não podem ver o sol.
Não podem ser livres nem por um momento.
Nós não podemos deixar de ser inocentes.
Ninguém irá comer o bolo para provar de seu recheio.
Tudo se manterá intacto.
Mesmo com a lancinante vontade,
O bolo se manterá intacto.
E ninguém provará de seu recheio
Ninguém provará o recheio culpado
Do bolo de inocentes.
O recheio guardado, escondido
Aos olhos de seus próprios criadores.
Por enquanto
(uma música ao fundo),
Nos contentamos com os docinhos e refrigerantes da festa.
E o cansaço assassina a esperança
A esperança em falta culmina no crime
O crime na culpa
A culpa no julgamento
O julgamento na sentença.
Somos todos criminosos
Quando somos descobertos.
Escondemos nossos crimes,
Os mais bárbaros crimes,
Até de nós mesmos.
E vivemos todos presos
(tal é nossa sentença),
Encarcerados em nossas mentes:
Onde, em celas, guardamos os segredos:
São alimentados duas vezes por dia
Mas nunca têm direito ao banho de sol.
Os segredos não podem ver o sol.
Não podem ser livres nem por um momento.
Nós não podemos deixar de ser inocentes.
Ninguém irá comer o bolo para provar de seu recheio.
Tudo se manterá intacto.
Mesmo com a lancinante vontade,
O bolo se manterá intacto.
E ninguém provará de seu recheio
Ninguém provará o recheio culpado
Do bolo de inocentes.
O recheio guardado, escondido
Aos olhos de seus próprios criadores.
Por enquanto
(uma música ao fundo),
Nos contentamos com os docinhos e refrigerantes da festa.
terça-feira, 10 de março de 2009
A madrugada
Gritos produzidos
Na madrugada
Ouvem
E são ouvidos
Na madrugada.
Ecoa o silêncio
Nas paredes
Do meu quarto
No céu da boca
Quebram-se os dentes
Corta-se a língua
E o grito cansa:
Volta pra dentro
Pra gritar
Mais fundo
No peito.
O coração parou
Rasgou-se a garganta.
Sangue há
Em todos os cantos
Em todos os quatro cantos
Do quarto cheio de cantos
Não cantados
Porque o grito
Quebrou os dentes
Cortou a língua
Cansou
E gritou no peito:
Cantou no peito a última canção
Do homem só e sua solidão
Do choro convertido em palavras
Derramadas em papéis.
Suportada a duras penas
A necessidade
De viver.
O sofrimento
E a dor
De existir
Mantinham sempre empunhado
O punhal
Voltado contra a própria alma.
É preciso viver.
Por quê?
É preciso fazer.
O quê?
É preciso ter.
Pra quê?
É preciso ser.
Não é.
É preciso ter vontade
Ter desejo
E só assim não se jogará ao vento
A vida
Uma vida
Uma vida só
Uma vida só vivida.
E eu vou amassando-a
Como fosse uma bola de papel
Para jogar no lixo,
Ao final.
Na madrugada
Ouvem
E são ouvidos
Na madrugada.
Ecoa o silêncio
Nas paredes
Do meu quarto
No céu da boca
Quebram-se os dentes
Corta-se a língua
E o grito cansa:
Volta pra dentro
Pra gritar
Mais fundo
No peito.
O coração parou
Rasgou-se a garganta.
Sangue há
Em todos os cantos
Em todos os quatro cantos
Do quarto cheio de cantos
Não cantados
Porque o grito
Quebrou os dentes
Cortou a língua
Cansou
E gritou no peito:
Cantou no peito a última canção
Do homem só e sua solidão
Do choro convertido em palavras
Derramadas em papéis.
Suportada a duras penas
A necessidade
De viver.
O sofrimento
E a dor
De existir
Mantinham sempre empunhado
O punhal
Voltado contra a própria alma.
É preciso viver.
Por quê?
É preciso fazer.
O quê?
É preciso ter.
Pra quê?
É preciso ser.
Não é.
É preciso ter vontade
Ter desejo
E só assim não se jogará ao vento
A vida
Uma vida
Uma vida só
Uma vida só vivida.
E eu vou amassando-a
Como fosse uma bola de papel
Para jogar no lixo,
Ao final.
quinta-feira, 5 de março de 2009
Velho, eu?
Gosto das cores frias
Do céu de fevereiro
Gosto só de ver
E de sentir o orvalho
Das manhãs em cinza.
Sem sol.
Gosto de sair na rua
Ver as crianças brincando
E lembrar do sorriso
Que o espelho me mostrava
Na infância.
Só gosto de lembrar.
Gosto de lembrar
Porque o passado
É mais gostoso.
Sinto o gosto do tempero
Da comida que mamãe fazia.
Sinto o gosto do limãozinho do quintal
Da casa da minha avó.
E quando eu percebo
Que tudo o que passou
Passou e não passará mais
Que tudo o que ficou
Faz parte do caminho
Mas faz parte dum caminho
Já percorrido
E que não se percorrerá mais,
A nostalgia me corrói a alma.
Vivi tudo o que precisei viver nessa vida.
Sinto saudades e sinto doer o peito.
Para mim ainda está tudo vivo
Contudo, na verdade, nada está.
E assim vou passando como as coisas
Que passaram
E aos que aqui ficam
E aos que virão
O legado que deixo
É a dor de existir.
Do céu de fevereiro
Gosto só de ver
E de sentir o orvalho
Das manhãs em cinza.
Sem sol.
Gosto de sair na rua
Ver as crianças brincando
E lembrar do sorriso
Que o espelho me mostrava
Na infância.
Só gosto de lembrar.
Gosto de lembrar
Porque o passado
É mais gostoso.
Sinto o gosto do tempero
Da comida que mamãe fazia.
Sinto o gosto do limãozinho do quintal
Da casa da minha avó.
E quando eu percebo
Que tudo o que passou
Passou e não passará mais
Que tudo o que ficou
Faz parte do caminho
Mas faz parte dum caminho
Já percorrido
E que não se percorrerá mais,
A nostalgia me corrói a alma.
Vivi tudo o que precisei viver nessa vida.
Sinto saudades e sinto doer o peito.
Para mim ainda está tudo vivo
Contudo, na verdade, nada está.
E assim vou passando como as coisas
Que passaram
E aos que aqui ficam
E aos que virão
O legado que deixo
É a dor de existir.
terça-feira, 3 de março de 2009
Foi tudo tão rápido. É.
As fotografias remontam a vida passada
Porque o passado é lembrado no presente.
E eu me escondo. Escondo
A dor que sinto quando chamam teu nome.
Escondo as lágrimas dentro de mim
Mostro-as somente à solidão.
A tua presença ainda se faz sentir...
A morte é viva em minha mente
E a vida em meu coração.
Como calar o grito
Que grito dentro do peito?
É doído te ter em mim presente
E, contudo, não te ter mais aqui...
Porque o passado é lembrado no presente.
E eu me escondo. Escondo
A dor que sinto quando chamam teu nome.
Escondo as lágrimas dentro de mim
Mostro-as somente à solidão.
A tua presença ainda se faz sentir...
A morte é viva em minha mente
E a vida em meu coração.
Como calar o grito
Que grito dentro do peito?
É doído te ter em mim presente
E, contudo, não te ter mais aqui...
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