domingo, 25 de maio de 2008

Sem ironias, te amo mãe

A casa está em chamas!

A madeira corroída desmorona
Sobre meu ser estirado ao chão

Ao menos ela tem um motivo para estar caída...

Choro lágrimas de dor e sofrimento
E de esperança, para ser sincero
Tentando apagar de vez o incêndio
Que há muito vem destruindo minhas edificações.

E a cada parede caída
A cada lágrima perdida
A cada lembrança envenenada
Eu desabo,
Assim como desaba minha casa.

Me misturo em meio aos escombros
Torno-me madeira e concreto
Num emaranhado de sentimentos adversos
Tentando inutilmente reerguer meu lar
Quando possuo meu próprio corpo ainda no chão.

Tento silenciar a voz dentro de mim
Mas minha boca continua a falar
E o que sai dela é meu coração
Aos pedaços, como em um vomito pausado

Cuspo, cuspo, e cuspo mais
Só pra ter a boca limpa
E poder falar o que quero:

Meu coração foi a última coisa que a senhora conseguiu levar!



[solitude_]

sábado, 17 de maio de 2008

Falsas palavras


Transcender as barreiras da existência

Com a fúria dos impetuosos

E a paciência dos imortais.

***

Eu sou o vir-a-ser

Sou o futuro dos meus antepassados

Eu sou nada

O universo em construção

Eu sou a idéia

Sou o agir em consciência

Vivo pra ser o que sou

Morro pra ser o que quero.



Eu Sou mais que corpo

Sou mais que palavras.





É hora de parar, já menti muito por hoje.




[solitude_]

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Amor

Meu amor é quieto,

Calado.

Olha-me sem se mexer

Não demonstra sentimento algum.

Isso tudo muda

Em minha atitude

De tomá-lo em meus braços

E apóia-lo em minhas coxas.

Sussurra palavras bonitas

Quebrando o silêncio da madrugada.

Ao leve toque dos meus dedos

Geme como em prazer interminável.

E, ao acabar,

Deitamos abraçados

No mais sublime gesto de amor

Eu, e o meu violão.



[solitude_]

terça-feira, 6 de maio de 2008

Nada é de ninguém

O poeta é só um homem

Que aprendeu a ser sensível

E que sabe o peso das palavras

Sabe porque vive sendo esmagado por elas.

***

Era um corpo de água.

Protegido por uma armadura de ferro enferrujada.

Impenetrável,

Aparentemente.

A armadura tinha algumas falhas

Mas era impossível alguém, além do corpo de água, conhecê-las.

Porém, ela foi estudada por inteiro.

Cada centímetro seu foi visto e revisto.

O nada se transformou em algo

O bom em ruim

O certo, em errado.

A tristeza, em raiva.

Raiva de quem segura o punhal ensangüentado.

Raiva de quem retira, peça por peça, a armadura.

A água escorre.

E o corpo já não é mais corpo

É somente água derramada

Correndo pelos rios da vida

Esvaindo-se.

Evaporando.

Foi esse o destine daquele

Que escolheu ser água por dentro

E Ferro por fora.



[solitude_]

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Não esqueço

Fumaça que sobe aos céus
Minha boca é chaminé


Como você criou
A sua sensação?


Formar figuras nas alturas
Eu sou criador de nuvens


Mais uma vez eu pergunto:
Como você criou
A sua sensação?


Chove agora em minha boca
E minha garganta é cachoeira


Não canso de perguntar:
Como você criou
A sua sensação?


A água desce e enche os rios
Os peixes morrem
E os pássaros se afastam


Como? Me diga!
Como você criou
A sua sensação?



[solitude_]