terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Insoneto

Por três dias eu vi
E no terceiro dia
Vi o céu cair.

Quando o céu caiu
As nuvens esmagaram
Aquele que as poliu.

De baixo pra cima
O céu inteiro
Inteiro, digo,
O céu inteiro caiu.

Subi pra baixo
Porque não podia
Subir pra cima.
Infeliz gramática...

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Experimental

Sempre fui muito mais frágil do que pareço ser. Esqueci a verdade dentro de mim e hoje sou apenas mentiras. Hoje sou máscara e fantasia, a capa para esconder as costas. Eu não sou mais e esqueço de tentar ser. Eu cansei de tentar e não conseguir.
Entregar-se é uma bobagem
Dizia austero o poeta
Esqueceu a real meta
Deixou em casa sua bagagem
Não achei não achei o que devia achar. Procurei tanto que agora esqueço de procurar. Não há mais tempo para brincadeiras. Não há mais tempo para promessas. Acabaram-se os dias de diversão. Acabaram-se os dias de trabalho. Acabaram-se os dias de... Acabaram-se os dias.
Eu me entreguei
Para me perder onde não
Posso tocar com a mão
Onde me perdi eu não sei
E não é cedo. Já é tarde para desculpas. Já é tarde para ofensas. Já é tarde para respostas. Já é tarde para perguntas.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Mais especificamente, ontem

Eu estava doente e tomava remédios até quase vê-los sair por minha boca. Sentia que padecia, queimava, ardia em miraculosa e inexplicável febre. Digo ‘miraculosa e inexplicável’, pois, via-me no espelho do guarda-roupa do meu quarto e via-me como me vejo todos os dias: rosto harmonioso, cabelos grandes, lisos e despenteados, e a tradicional boca torta.
Contudo sentia que eu não era aquilo. Eu era o que sou por dentro, por debaixo da pele sedosa. Eu era a gordura, a carne viva, em vários tons de rubro, os órgãos corroídos pelo pus amarelo das inflamações; eu era a putrefação iminente, o odor detestável das carnes apodrecidas; eu era um ser gripado, um ser doente e, contudo, nada havia em mim – na minha face, na minha máscara e fantasia – que deixasse isso à mostra.
Assim, percebi que eu não só não era o que me via no espelho, como não sou. E nem sou o corpo, a carne em seu estado mais ignóbil e vil, a carne que se desfaz e que se reduz ao húmus que dará, mais tarde, a outro ser, a vida. Eu percebi que sou o que há por trás de cada camada da derme, por trás de cada tecido e por trás de cada coisa que se resume à matéria. Eu percebi que sou mais que isso, que sou o que vocês costumam chamar de espírito.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

O amor

Eu havia me esquecido de como era a vida. Comecei a viver ao contrário e as coisas começaram a entrar no lugar. Parece que só virando tudo de cabeça para baixo se consegue montar o quebra-cabeças.
Eu pulei de um abismo na porta da minha casa. Caí numa rua de asfalto onde os garotos jogavam futebol com uma bola velha e gasta. As crianças corriam ao encontro umas das outras.
Esquecer de como é a vida talvez tenha sido bom. Agora eu posso sentir o gosto do feijão e da carne que mamãe costuma fazer. Também posso dizer ‘bom dia’ ao meu irmão e lhe dar um abraço caloroso. Agora eu sinto. De novo.
Eu beijei muitas moças e nenhuma delas retribuiu o beijo. Nunca encontrei ninguém. Mas por que haveria de procurar? Minha mãe é a única mulher da qual preciso. Ela faz o feijão e a carne que eu tanto aprecio.
Acho que eu via as coisas da forma errada. Só agora eu parei para ver que ter amigos não é ter gente por perto. Parei para ver que meu amor é dividido com o mundo e não com as pessoas. E as pessoas são o mundo. E o mundo é as pessoas.
Meu amor é de todos. Meu amor é de tudo.
O amor é simples. O amor é tudo.

Meme

Fui indicado pelo blog “Transbordamentos” - http://transbordamentosdejessica.blogspot.com/
As regras do Meme são as seguintes:

1. Linkar a pessoa que te indicou.
2. Escrever as regras do Meme em seu blog.
3. Contar 6 coisas aleatórias sobre você.
4. Indique mais 6 pessoas e coloque os links no final do post.
5. Deixe a pessoa saber que você a indicou, deixando um comentário para ela.
6. Deixe os indicados saberem quando você publicar seu post.

Lá vão os seis detalhes aleatórios sobre mim:

1. Não me encontro, sou inquieto
2. Amo muitas mulheres
3. Quero mais do que posso ter
4. Não entendo a vida
5. Tenho vontade de morrer só pra saber o que há lá pelo outro lado
6. Tenho quase certeza que morrerei pobre.

Os seis blogs:

http://dilinharez.blogspot.com/

http://acaixaselada.blogspot.com/

http://olhandopragrama.blogspot.com/

http://eomundoseguiuadiante.blogspot.com/

http://www.flutopias.blogspot.com/

http://setepistas.wordpress.com/

Pe[r]cador

Confusa! Minha mente está confusa!
Quanto mais terei que esperar?
Continuas a meu amor fatigar
E esperas não ter tua merecida escusa?

Procurarei manter-me calmo
Contudo, quanto mais baixo sussurro,
Mais à minha própria alma esmurro
E renego-me ao Homem almo...

E retornam ignotas sombras
De recônditos sonhos e obras
Que começam a se mostrar.

Esqueço o ignóbil espúrio
E ao som de um doce murmúrio
Permito ao martírio se prostrar.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Burguês Abandonado

Os jovens se perderam
Nas portas de nossa Casa
Livrando-se da massa
E das modas que morreram.

A moda agora é uma tal
De inépcia cosmopolita
E a tendência quem dita
É quem esquece a terra natal.

Vou lançar mãos ao burguês
Que aqui foi abandonado,
Vou ajudar esse pobre coitado!

Pobre, coitado e burro!
Sairá a pontapé e murro,
Daqui, antes do fim do mês.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Vestibular

A pálida lâmpada, espremida por correntes
Não nos permitia ao prazer de sua luz.
Lembrei atônito, da cruz
A padecer no sol dos dias quentes.

A brisa fresca não nos entregavam
Respirávamos um ar sujo, viciado
E naquele recinto minúsculo, quadrado
Sofríamos ao som das folhas que se passavam.

Os segundos corriam como que fossem horas
Nos partindo os órgãos com suas esporas.
Eu me mantive acordado...

E agora estou pronto para ir embora
Para entregar a prova a uma tal senhora
E deixar esse infortúnio no passado.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

e Adolescente

Agora, o sorriso se fez presente
E sinto a alegria da finalidade,
A calmaria, após a tempestade;
E a dor extinguir-se finalmente.

Sorrio alto, gargalho e desperto
Todos que aqui perto descansam
Ouço dizerem que já se cansam
Do meu riso histérico em concerto.

Paro por apenas um instante
Com meu riso alto e constante
E todos voltam a dormir.

E tenho logo nova vontade de rir
Contudo contenho-me a duras penas
Para manter-me nesta casa de antimecenas.

Mente d

A paz e a felicidade se extinguiram.
Era tudo uma enorme mentira
Uma maldição que sobre mim caíra
De ver coisas que nunca existiram.

O erro nunca fez questão de me abalar
Contudo algo pior há que me destrói
E minhas vísceras por dentro corrói:
É a ignorância em uma dose cavalar.

De vez em nunca sou feliz
E, quando sou, algo me diz
Que efêmera é essa felicidade.

Eu me preocupo com o que pode ser
Pois grande é a possibilidade d’eu morrer
Mas, meu pai sempre diz: “isso é coisa da idade.”
Fruto do bruto combate
Entre a carne e a alma,
O pensamento pede calma
E socorre as vítimas do embate.

Eis que surge a lógica
Com seus processos racionais
Esquecendo a mente e seus tribunais
E as suas leis teleológicas.

Dói-me a cabeça, estou cansado.
Durmo e acordo abastado
Com o resultado da derradeira batalha.

Então vejo o sangue escorrer pela navalha
E espero que minha dúvida seja saciada
No seio da morte imaculada.

Arroz

Filha da terra, olhos cor-de-mel
Cabelos de seda, espelho da perfeição.
Arrebata cada pedaço do meu coração
Ascendendo-me às alturas, ao céu.

Estar contigo desperta minha alma
Deixando-me no corpo inteiro
As marcas do teu doce cheiro
Que em todo momento dão-me calma.

Minhas defesas já foram batidas,
Todas minhas esperanças, perdidas.
Aguardo-te cheio de lágrimas a verter,

Molhando a rosa, a esconder
O prazer inexprimível da paixão
A miséria desgraçada da ilusão.